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Cantares Portugueses
Rapsósia
Ele:
Teus olhos dizem que sim
Tua boca diz que não. (bis)
Ela:
Advinha se é capaz
O que diz meu coração. (bis)
Ele:
Diz que não mas é mentira
Toda a gente o diz p`raí. (bis)
Ela:
Deixa lá falar as bocas
Cada qual sabe de si. (bis)
Eles:
Roubei-te um beijo, Maria
Desde esse dia
Morra se minto
Por uma coisa tão pouca
Pica-me a boca
Não sei que sinto.
Elas:
Mal haja o ladrão da estrada
T`arrenego, cruzes, fisgas,
Beijo dado sabe a rosas
Mas roubado sabe a urtigas.
Coro:
Vira, vira, virou
Vira, torna a virar
Roda, roda, rodou
Cada qual com seu par.
Elas:
A chita da minha blusa
Já se não usa
Foge demônio
Não quero a tua riqueza
Quero a pobreza do meu António.
Eles:
Fazes mal, ó moreninha,
Que o amor dum marinheiro
Sobe e desce como as ondas
É como a agulha em palheiro.
Coro:
Vira, vira, virou
Vira, torna a virar
Roda, roda, rodou
Cada qual com seu par.
Roubei-te um beijo e tu choras
Porque foi separação
Mas separado andou sempre
Do meu o teu coração.
Que divina sensação
Eu sinto ao dar-te um beijo
Parece, amor, que morrendo
Sinto da vida o desejo.
Os teus olhos são tão negros
Como a noite sem luar
Onde eu perdi o caminho
Sem me saber encontrar.
Elas:
Ó rio das águas claras
Que vais correndo p`ro mar
Não contes as minhas penas
Tem pena do meu penar.
Eles:
Penas de amor não as tem
Quem também sabe cantar
Como há-de o sol entender
As tristezas do luar.
Elas:
Doze meses tem o ano
Quatro caras tem a Lua
Diz-me tu quantas pedrinhas
Tem o chão da minha rua.
Eles:
Quando passo à tua porta
Parece que tenho um véu
Como hei-de contar as pedras
Se apenas olho p`ro céu.
Vá de roda cachopinha
Vá de roda com calor (bis)
Ao pé de mim chegadinha
Mais me prendes meu amor.
Vai alta a Lua vai alta
Tem as estrelas ao redor (bis)
`sta triste porque lhe falta
junto dela o seu amor.
Palminhas, moças, palmadas
Batei rijo, cachopinhas (bis)
Não doem essas pancadas
Que são d`amor pancadinhas
Tecedeira esses teus olhos
Tecem mais que o teu tear
Vai o fio vai o fio
Noutro fio entrelaçar.
O teu tear tecedeira
Faz lindos lenços de linho
Alvas penas, brancas penas
Tecedeiras do teu ninho.
Anda a canela correndo
Sobre a teia do tear
Vai o fio vem o fio
Noutro fio entrelaçar.
O teu tear tecedeira
Faz lindas colchas de amor
Brancas mantas, alvas mantas
De laranjeiras em flor.
Elas:
Ai! Não há maior riqueza
Do que ter um coração!
Já não passo S. João
Que não case com certeza...
Eles:
Mas ouv ontem dizer
Que o amor vai acabar!...
Porque está farto de amar
E se sentes envelhecer!...
Ela:
Se assim é quais os receios
Que te causa a nova triste?
Pois o amor só não existe
Para aqueles que são feios.
Eles:
Valem mais que todo o oiro
As palavras que tu cantas
São doçuras com que espantas
Todo o mal do meu agoiro.
Coro:
Fala, fala
Vai falando
Surdos nunca ouviram nada
Rala, rala
Vai ralando
Que a conversa não me agrada.
Olha os moinhos
Que lindos são (bis)
Todos branquinhos
Da cor do pão.
Lá vem os beijos
Da ventania
E o moinho
Doido, tontinho
Ébrio de beijos
E de desejos
Chia... chia
Com alegria
Com alegria
Brancos moinhos
Aleluia (bis)
Sois o pão nosso
De cada dia.
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