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Passaste em frente da Igreja
E sem saberes disfarçar
Com um bocadinho de inveja
Lá começaste a cantar.
Aceitei estas cantigas
Ó meu q´rido S. João
São o amor das raparigas
A fugir do coração.
E a tua outra inimiga
Com certa superioridade
Cantou esta outra cantiga
Mas essa então com vaidade.
O meu cantar, S. João
De voz, bem desprotegido
Fala mais ao coração
Por ser talvez mais sentido.
E tu então enervada
Olhaste o Santo e a seguir
Continuaste a toada
Em som alto para se ouvir.
Já que eu não sinto as cantiga
Que vos s´tou vindo a ofertar
Deixo às outras raparigas
O direito de cantar.
E sorrindo amargamente
Ias a fugir apressada
Mas paraste de repente
Extremamente corada!
Foi S. João que zangado
Te disse com azedume:
Tu não sabes que é pecado
Teres assim tanto ciúme!...
DUARTE SILVA
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