Morte do Rancho do Monte

 

 

 

Na segunda à tardinha, o rancho, a soluçar,

Lá foi até a praia dizer adeus ao mar,

Compunha-o pouca gente, pois parte dos adeptos

Ficaram lá no alto, chorosos e inquietos.

Depois voltou o bando quase ao cair do dia

Expondo pelas ruas a mais dura agonia,

De vez em quando pára: mais um bouquet é dado

Para depor na campa do pobre amargurado.

Notam-se partidários postados às janelas;

Aqui se chora e reza, ali se acendem velas;

 

A nota mais sentida foi ao passar na Praça: -

Do fúnebre cortejo, o pessoal em massa

Clamou a uma voz: - Oh Praça sempre boa

Estende o teu perdão! Escuta-nos! Perdoa

A quem julgando ser um núcleo poderoso

Ousou ir para ti bravio e rancoroso,

P`ra vir aqui agora – Oh crua ilusão!

Implorar a teus pés perdão! Perdão! Perdão!

 

E o fúnebre cortejo lá segue a marcha lenta,

Provocando mais choro ao povo que o lamenta,

Chegando lá ao alto, o triste, esgotado,

Vai para o cadafalso que lhe está reservado.

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E enquanto canta e dança a Praça ali defronte,

Corre mundo a notícia:  - Morreu agora o Monte!

 

                                                           CUNHA ARAÚJO