O moinho da levada

 

 

O amor e a espuma do mar,

- Contaram perdidas lendas -

Foram um dia noivar...

E deram tão lindo par

Que até nasceram as rendas!

 

E desse mar de brancura

Vieram suaves prendas...

Como fada de ternura,

Brotou a esbelta figura

Da feitoeira das rendas.

 

Rendilheira: o teu labor

É o moinho da levada...

- Abençoado fervor!

São mesmo hinos de amor

Que teces sobre a almofada.

 

Rendilheira: toda a gente

Sabe que teces magia...

No teu coração ardente,

Quase um milagre se sente

Na linha feita poesia.

 

Céu, Rio, Mar, a saudade,

Tudo nas rendas se esconde.

- Que a beleza e a majestade,

Em eterna mocidade

Moram em Vila do Conde!

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De rendas toda vestida,

Terra do Ave e da graça...

É doce mãe, é a vida

Das Rendilheiras da Praça!

 

                                    VENTURA DO PAÇO