Ó Palmira!

 

 

 

O Palmira veio há tempos do Brasil

E logo o Monte o recebeu com luzimento

E quando passa, ele delira,

Porque dizem, o Palmira

Trouxe massa e grafonola de espavamento.

Toda noite toca gaita aqui na Praça,

E o povinho já por vezes repontou;

Pois não se passa um só dia,

Que não haja sinfonia,

E o povo de arrelia

Já assim ontem cantou:

 

            Coro:

 

   Ó Palmira da gramafonola

   Ó Palmira do Monte de neve

   Cala a caixa que já nos amola

   Ó Palmira o diabo te leve!

 

Certa noite um lindo par de namorados,

Foi sentar-se num banquinho ali na Praça,

E tão juntinhos e abraçados,

Estavam os dois namorados

Que nem davam pela gente que ali passa.

Nisto surge lá de cima o tal Palmira,

E põe logo o zigarelho a funcionar;

Junta grande multidão

No meio da escuridão,

E fugindo ouviu-se então

Os pombinhos a gritar:

 

            Coro:

 

   Ó Palmira da gramafonola

   Ó Palmira do Monte de neve

   Cala a caixa que já nos amola

   Ó Palmira o diabo te leve!

 

O Palmira não deu sorte com a piada         ,

Não se zanga, nem faz gestos façanhudos;

Quando passa sorridente

O Palmira olha p`rá gente

Enquanto outros se mostram mais peludos.

 

E a prova de que o Monte foi à serra,

É bem fácil no momento demonstrar.

Pois o próprio barateiro,

Até bateu no caixeiro,

Por o ver muito lampeiro

De manhãzinha a cantar:

 

            Coro:

 

   Ó Palmira da gramafonola

   Ó Palmira do Monte de neve

   Cala a caixa que já nos amola

   Ó Palmira o diabo te leve!

 

                                    CUNHA ARAÚJO