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Um grande achado no Monte!
Pouca gente soube disso
E foi um caso engraçado:
No Monte houve um grande achado
Que deu grande rebuliço.
Depois do acompanhamento
Que os trouxe de S. Bento,
Diz dos chefes o mais testo; -
- «Agora fogo para o resto?
O pouco que se comprou
Lá se foi já se acabou»!
Mas surge uma voz do lado:
- «Está tudo remediado,
Que eu sei quem em Azurara
Duas dúzias encontrara
Desprezadas na valeta»!
- «Não pode ser, isso é treta»! -
- Diz o bica meio assado.
- «Não é, pois estou informado
Em casa dum tal Gaspar»!
- «Então vamo-lo buscar! –
- Exclama o Tino de contente,
Chamem para aí essa gente,
Para depois todos em massa
Deitar-nos em terra a praça»!
E o fogo tão desejado
Lá ficou sendo aguardado
Pela gente do lugar,
Que teimou na se ir deitar
Sem que o tal fogo surgisse
Ou sem ver se era intrujice...
Entretando ouve-se tlan...
Tlan... tlan... Três da manhã!
Surge enfim a tal molhada,
E a multidão delirada
Acorre ao alto do Monte,
Enquanto que ali defronte
A Praça toda bonança
Sobre os seus louros descansa...
....................................................................................
E o Tino já a suar
Prossegue a desamarrar
Quilômetros de cordéis
Toneladas de papéis
E quilos de serapilheira,
Debaixo da pasmaceira
Da multidão irrequieta
Que já vê naquilo treta...
E ao fim de horas de espera,
Quando tudo desespera
Ouve-se o Tino: - «Ora Tanas
Isto só c`uns demonetes!
Vêem que grande galinha?...
E vê-se em vez de foguetes
Um grande atado de canas
Tendo no meio uma pinha!...
CUNHA ARAÚJO
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