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Vira livre
Ai! Na «tarefa da hora»,
E quando a renda é mais linda,
A rendilheira até chora
Ai, se a tarefa não finda!
A alma da rendilheira
É que tece n`almofada:
Mas às vezes, de canseira,
Morre nela debruçada!
Na noite de S. João
Os rapazes, à porfia,
Enganam o coração
De muita pobre Maria.
S. João: todos te cantam,
E poucos sabem cantar...
Todos rezam nas cantigas
E não sabem que é rezar!
Eu vou dar-te um rosmaninho,
Vou ter o mundo na mão:
Quem adora uma mulher
Tem todas no coração.
A graça do teu olhar
É uma teia, Maria...
A linha que queres dobrar
Nem numa roca se fia.
VENTURA DO PAÇO
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