1ª DIGRESSÃO AO CANADÁ - 1996
 
 
Com saída de Portugal a 07 e chegada a 16 de Junho de 1996, a convite de Fernando Maia radicado em Toronto, o Rancho da Praça faz a sua primeira viagem intercontinental e durante duas semanas actua nas cidades de Toronto, Hamilton e Kitchner no Canadá.
 
Em Toronto participa nas festividades do Dia de Portugal entre os dias 08 e 10 de Junho. É recebido em audiência no Parlamento do Ontário, na Câmara de Toronto e no Consulado de Portugal naquela cidade. Pela primeira vez é hasteada a bandeira portuguesa na frontaria do Parlamento do Ontário perante as autoridades canadianas e cantado o Hino Nacional, interpretado pelos músicos do Rancho da Praça. Connosco, estiveram também S. Exª. o Secretário de Estado das Comunidades – Engº José Lello e D. Manuel Martins – Bispo resignatário de Setúbal.
 
 
Em Hamilton, cidade onde está radicado o nosso conterrâneo e amigo Agostinho Campos, por sua deferência o Rancho da Praça integra as Comemorações dos 150 anos daquela cidade, é convidado de honra para participar na Sessão Solene comemorativa da efeméride e actua em festival de Folclore.

Em Kitchner é recebido por toda a vereação da Câmara local. Finda a cerimónia protocolar de boas vindas e troca de lembranças, o Rancho da Praça exibe-se na frontaria do edifício perante numerosa assistência.

Depois de praticamente duas semanas por terras canadianas, pode dizer-se que o Rancho da Praça uniu a comunidade vilacondense, deixou saudades em todos quantos o viram actuar, merecendo por isso rasgados elogios da imprensa escrita e honra de primeiro plano na abertura dos telejornais das várias televisões, abriu a porta para outras Associações vilacondenses poderem lá ir também e sobretudo, lançou o repto para que em Toronto fosse fundada a Casa de Vila do Conde.

Mas, como é que tudo aconteceu?
 
Estávamos a meados do mês de Janeiro de 1996. Na sede do Rancho da Praça, Carlos Marcelino recebe um telefonema de Fernando Maia seu amigo de há muitos. Depois dos cumprimentos iniciais, Fernando Maia pergunta se queríamos levar o rancho ao Canadá.
 
Acordados os pormenores e as principais responsabilidades das duas partes, pedimos um prazo para resposta até ao fim do mês de Fevereiro próximo. Torneadas e ultrapassadas todas as dificuldades, antes do fim do termo do prazo para resposta, telefonamos ao Fernando Maia informando-o da nossa disponibilidade e interesse em estar presentes de 7 a 15 de Junho na cidade de Toronto para participar nas Comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas.
 
Passado pouco tempo da nossa aceitação oficial, recebemos o programa pormenorizado da nossa estadia naquele país, desde o local de alojamento, às audiências, entrevistas, actuações e momentos de lazer.
 
Logo no dia 8 participamos na Parada (tipo desfile) juntamente com todas as Associações portuguesas representadas no Ontário. Num percurso com uma extensão enorme, sempre a cantar e a dançar perante uma multidão que emoldurava as ruas por onde o desfile passava, o Rancho da Praça recolhia entusiásticas ovações.

Integravam o desfile dois carros alegóricos feitos por vilacondenses radicados em Toronto, com alguns motivos de Vila do Conde levados de Portugal pelo Rancho da Praça. Um dos carros arrecadou o 5º lugar entre tantos os que participaram na Parada.

Na noite anterior ao nosso regresso, a comunidade vilacondense presenteou-nos com um jantar de despedida no Restaurante Sea King. A festa durou até às tantas e foi agradável verificar a alegria contagiante que ali reinava. Dado que já estávamos nas proximidades das Festas de São João, tão emblemáticas para os vilacondenses, todos reviviam ao som das músicas do Rancho da Praça, as Noites de São João, as Marchas Luminosas e as Idas à Praia como se estivessem em Vila do Conde.
 
Nesse ambiente de fraternidade e na altura dos discursos, o Presidente do Rancho da Praça, para além dos agradecimentos normais e naturais pelo calor humano que nos foi transmitido por todos, em jeito de balanço e sentindo que faltava algo para unir os vilacondenses radicados em Toronto disse: “lanço daqui o repto aos vilacondenses para que seja criada a Casa Cultural de Vila do Conde nesta cidade.
 
Isso permitirá que outras Associações de Vila do Conde e concelho aqui se desloquem e, possibilitará também que os vilacondenses radicados nestas paragens tenham um denominador comum para divulgar a terra que nos viu nascer e que todos amamos profundamente”.
 
Todos os vilacondenses foram excepcionais. Mas Fernando Maia, Agostinho Campos e respectivas famílias, merecem-nos um profundo respeito de amizade e consideração.